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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Ecoar: Qual a sua natureza?


Foi com essa questão norteadora que três alunos do Curso Técnico em Guia de Turismo, Alessandro Cruz, Julio Prado e Marina Antonucci, da turma AN17, organizaram um roteiro de ecoturismo, colocando em prática as competências da profissão.  Qual a sua natureza abre um conjunto de possibilidades reflexivas, atitudinais e éticas, ecoado por meio do Projeto Ecoar.

Ecoar é o projeto integrador construído pelo trio no processo de formação, tendo sido executado em 08 de setembro de 2018. Guiaram um grupo de 15 pessoas pelo Parque da Neblina, situado nos municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, uma reserva privada da Suzano Papel e Celulose, gerida pelo Instituto Ecofuturo.

No guiamento, trouxeram todas as marcas formativas do Senac, tal como a construção de um projeto real, o aprendizado significativo, a valorização do repertório individual e o trabalho colaborativo. Articularam as competências do curso, como o planejamento, estruturação e execução de roteiros turísticos, dando assistência aos turistas e mediando informações referentes ao atrativo e destino.

Do planejamento à execução, conceberam a ideia, a aprimoraram, buscaram parceiros, articularam fornecedores, notaram os desafios, venderam o produto turístico, criaram uma identidade visual e deram as orientações aos passageiros do passeio. Mínimos detalhes considerados em vários dias de trabalho, empenho e dedicação, unindo a expertise de cada um.  Foram muitos dias de trabalho, reuniões e planejamento”, diz Marina.

Guiaram o grupo atentos à hospitalidade, à educação ambiental e à construção de uma relação tempo & espaço em que foi permitido a busca e construção dos significados sobre essa natureza que nos toma e é parte intrínseca do nós, sujeitos do meio, natural e construído.

Encontramo-nos às 06h no Centro Cultural São Paulo e seguimos rumo à Mogi das Cruzes. Fizemos uma parada para café e, ao chegarmos no Parque, fomos acolhido num espaço muito aconchegante, com um delicioso suco  de Cambuci e fruto da Palmeira Jussara. Na sequência, o condutor do Parque nos apresentou a reserva e fomos para nosso passeio pelas trilhas. Entre narrativas e mediações, em dado momento no trajeto, fomos vendados e tivemos a experiência de confiarmos no outro, que nos conduzia.  Também tivemos um tempo livre às margens do Rio e, ao final, praticamos arvorismo (trilhas em corredores confeccionados sobre as árvores). O almoço estava impecável, feito com produtos orgânicos e muito carinho. Antes de retornarmos, visitamos o camping e compartilhamos nossas impressões. Na volta, paramos para um lanche na Casa dos Queijos e chegamos em São Paulo próximo às 20h.  

Um fotógrafo acompanhou o grupo e reuniu os registros da experiência que, além de ser uma ótima estratégia para as recordações, nos possibilitou olhar à volta com nossos próprios olhos e não mediados por uma lente.

Após a excursão, compartilharam algumas dicas de entretenimento e cultura na cidade de origem, São Paulo, dando sempre um gostinho de quero mais, pois a experiência de uma viagem transcende arrumar e desfazer as malas e mochilas.

Fábio Ortolano, professor na área de turismo do Senac Aclimação, participou da execução do projeto integrador Ecoar.  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Turismo sensorial: a curadoria por meio de um projeto integrador


Aluna do curso técnico em Guia de Turismo do Senac Aclimação, Audmara Veronese, desenvolve um roteiro sensorial para pessoas cegas e de baixa visão em Espirito Santo do Pinhal.
Atenta a escassez de produtos turísticos voltados às pessoas cegas e de baixa visão, bem como à emergência do turismo de experiência, Audmara criou um roteiro sensorial em Espirito Santo do Pinhal. O piloto faz parte de seu Projeto Integrador, idealizado no desenvolvimento das competências associadas ao profissional guia de turismo.
Unindo a Secretaria de Turismo local, que a conheceu num evento da área; empresários locais, que acolheram sua ideia em visitas preliminares, a Fundação Dorina Nowill e instituições representativas do trade turístico, como a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (FRESP), que acreditaram no projeto, a aluna articulou uma rede de pessoas interessadas em investir no segmento. E a experiência piloto foi um sucesso, como descreverei a seguir.
Por conviver há mais de 15 anos com pessoas cegas, Audmara imprimiu sua marca desde a idealização à implementação do roteiro. Já no início, fez uma dinâmica em que todos os participantes se apresentaram, contaram um pouco de si e do interesse em fazer um passeio para conhecer a produção de café. Vieram as lembranças da infância, os semblantes de alegria compartilhados e os causos curiosos associados à vida cotidiana.
Atenta, a futura guia descreveu como estava vestida e os adereços que escolheu para aquele passeio. Retomou as conversas iniciais de planejamento com os participantes, as histórias de cada um.
O guiamento foi uma espécie de curadoria, pois a aluna tanto se preocupou com a concepção de um roteiro desenhado pelos sentidos, como fez com que os participantes expusessem seus talentos artísticos. Um dos participantes criou algumas trovas e as declamou durante o passeio.
O primeiro atrativo foi a Fazenda Retiro Santo Antônio, apresentada por seu proprietário, Jefferson Adorno, munido da hospitalidade mais genuína. Recebeu o grupo desde a chegada do ônibus e na casa administrativa preparou uma mesa com café, leite e bolos de fubá e milho. Acolheu todos contando sua trajetória e sobre a produção de um café incluso num projeto em harmonia com o meio ambiente, pela preservação das nascentes, mata nativa e fauna local. Ali, Aud entregou as lembranças, os chapéus de palha para caminhada e comentou que havia impresso o nome de todos os participantes e apoiadores. Assim, visitamos a Capela de Santo Antônio, construída em 1950, e fomos ao cafezal. Já com a lona branca no corredor entre os pés de café, tiramos as sementes dos cafeeiros. Jefferson ensinou todos como faz a colheita, tratamento, estoque etc. E como uma surpresa, deixou que o grupo plantasse uma árvore nativa para registrar o momento. Os participantes cegos e de baixa visão pegaram na terra, tocaram o vegetal, afofaram o solo e sorriram. Dalí seguimos até a sala do moinho, onde se produz o fubá. Pegamos o milho, trituráramos e sentimos o pó que descia entre as pedras. Fomos para o almoço.
Nossa refeição foi no centro da cidade, com alguns trechos em paralelepípedo, outros com asfalto. Na paisagem, edificações históricas e bem preservadas descritas pela Audmara. Almoçamos três opções de pratos, previamente apresentados pela aluna, todos acompanhados com saladas já picadas e temperadas.
À tarde, fomos na Cafeteria Loretto. Heitor Palermo Jr., gerente do estabelecimento, arrumou uma mesa para que todos sentissem os tipos de sementes em seus estágios de maturação.  Apreciamos o café, conversamos, conhecemos os diversos rótulos de cafés produzidos na região e a aluna fez os agradecimentos a todos os envolvidos. Entre emoção, carinho e diversos obrigados, compartilhamos todos a gratidão de participar do projeto.
Quanto aos cegos, o que mais me marcou foi a irreverência criativa e o humor cativante. Brincando com nossa guia, em trocadilhos com seu nome, agradeceram pela audiência e audição.
Para finalizar, não há como não dizer da trilha sonora, que foi escolhida pelo grupo e harmonizada no roteiro pela Audmara. Na ida, rumo à fazenda no interior paulista, a seleção continha as músicas de raiz, caipira e que mencionavam o café. Cantou-se “Flor do Cafezal”, interpretada por Inezita Barroso e ecoada várias vezes pelo grupo durante a excursão. No retorno, a opção foi MPB e chegando no desembarque, numa noite fria e já escura, escutou-se “O trem das onze”, interpretada por Adoniran Barbosa.

Fábio Ortolano, professor no curso técnico em guia de turismo do SENAC ACL e participante do roteiro piloto.